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Mensagem por Hikaru em Sex Jun 19, 2015 12:47 am

Você já passou por uma situação em que se sentisse como se não tivesse controle sobre a sua vida, sobre o seu destino, como se outras pessoas ditassem os caminhos que você deve tomar e as escolhas que deve fazer? Se a resposta for positiva, então você entende como eu me sinto, se não, você ao menos pode imaginar como isso é uma droga. Felizmente existe uma forma de se livrar de uma situação como essa, mandar todos se foder e tomar as rédias das coisas, porém, quando não se é grande o suficiente para poder ter ideia do que se passa, ou para se sentir potente o suficiente para fazer isso por si próprio se torna mais difícil do que pensa.

O que quero dizer com tudo isso é que nem sempre eu tive uma vida que se possa dizer digna, tive de fazer coisas das quais não me orgulho, mas um pensamento que me consola nos dias de solidão é pensar que eu realmente não tive escolhas enquanto a isso. Já ouvi uma vez que sempre temos a opção de escolher, mas muito raramente se leva em conta as implicações que envolvem cada escolha. Como se a vida fosse um grande teste com questões de múltipla escolha, onde você pode escolher a opção correta ou as outras erradas, na verdade é como se fossem questões de múltipla escolha e dissertativas ao mesmo tempo, em que ao marcar uma você ainda precisa respondê-la. Ou seja, é muito mais complexo do que parece, principalmente quando você é muito novo para estar preparado para fazer esse teste com base nas experiências de vida.

Nasci em um lar em que havia apenas minha mãe e eu, não sei quem é meu pai biológico, mas quando fiz três anos ganhei um padrasto. Minha mãe o amava, mas não sei se ele sentia o mesmo por ela, ele gostava mesmo era da pensão que ela recebia do governo por se mãe solteira. Por muito tempo eu não me importei com ele, mas com o passar dos anos fui percebendo que ele não era o tipo de pessoas mais amigável do mundo e que ele não gostava de mim. Tudo ficou mais claro quando minha mãe morreu de câncer de pulmão, ela sempre fumou muito. Eu tinha apenas dez anos e não tinha outros familiares, fiquei aos cuidados do meu padrasto, que aceitou ficar comigo pois o auxilio que minha mãe recebia passou para mim, para ser administrado pelo meu novo responsável, ele. O problema é que ele achava que o auxilio não era o suficiente e queria mais dinheiro, dentre as formas mais terríveis de ganhar dinheiro fácil estava queimado no mundo do trafico e deveria para gente perigosa, não podia voltar a “trabalhar com isso”, então decidiu por outro ramo.

Ele já havia trabalhado com o corpo antes, quando era mais novo, voltou a contatar os seus antigos clientes, alguns ainda aceitaram os serviços, mesmo ele não sendo mais o modelo mais desejado, outros recusaram, fazendo pelo menos o favor de indicar outras pessoas. Logo ele passou a trazer homens e mulheres para casa, me mandava ficar no quarto enquanto me recebia e eu obedecia, estava cansado de apanhar. Infelizmente, um certo dia, eu precisei muito ir no banheiro e sai, me certifiquei de que não havia ninguém por perto, estavam no quarto, corri para o banheiro e me aliviei, na volta acabei me deparando com meu padrasto e um cliente terminando de acertar o pagamento do serviço, eles me viram. Recebi um olhar de ódio do meu padrasto e um de espanto do cliente, provavelmente ele não sabia que havia uma criança na casa.

- Seu filho? – Ele perguntou. Era um homem de meia idade, deveria estar na casa dos cinquenta. Se vestia bem, deveria ser rico.

- Filho da minha antiga mulher, que faleceu e me deixou esse traste para cuidar. – Disse meu padrasto. – Não tenho filhos.

- Entendo... – Disse o estranho me olhando de cima a baixo, não gostei da forma de como ele fazia isso, parecia me devorar com os olhos. – Gostaria de em um próximo encontro poder conhecer melhor o garoto.

- Não sei... – Disse meu padrasto. – Não quero me envolver em encrenca.

- Digamos que pagarei bem o bastante para poder cobrir qualquer tipo de encrenca. – Ele falou.

- Agora sim o senhor falou uma língua que eu conheço. – Disse o meu padrasto com um terrível sorriso no rosto.

Dali em diante as coisas só pioraram, o estranho voltou outro dia e conseguiu alguns minutos comigo no quarto. Primeiro começou com uma historia fajuta de querer brincar comigo, trouxe até brinquedos, mas claro, para me deixar ficar com eles eu teria que obedecer a ele direitinho. Me colocou sentado no colo enquanto tocava e beijava o meu corpo, eu queria sair dali, fugir para nunca mais voltar, mas para onde eu iria? Não conhecia ninguém, além de morrer de medo do meu padrasto, do quanto eu poderia apanhar se não obedecesse ao estranho. Depois ele tirou minha roupa e pôs sua boca em lugares constrangedores e fez com que eu fizesse o mesmo nele. Lembro de lagrimas terem escorrido dos meus olhos, mas ele apenas as enxugou com as mãos e continuou a sussurrar para que eu continuasse e elogiando a ação.

Outros encontros ocorreram em minha casa ou na dos clientes, eram homens e mulheres, felizmente não faziam nada além do que eu já citei anteriormente, não enquanto eu estivesse novo demais para que meu padrasto permitisse que avançassem, pelo menos nisso ele pensou em mim, pelo que parece ele também havia começado cedo e entendia o quão seria difícil me manter conveniente como estava se começasse a sentir dor durante os encontros.

Algo diferente ocorreu um dia, quando eu cheguei em um condomínio com meu padrasto para encontrar um cliente, não era a primeira vez deste, já havia ido lá outras vezes, costumávamos a nos deparar com um vizinho, que no inicio pareceu não se importar, mas depois percebi que ele começou a notar em mim. Naquele dia em especial, depois que terminei com o antigo cliente e estava saindo em direção à saída, este cara chamou meu padrasto e conversou com ele por um tempo, de onde estava não consegui ouvir bem a conversa, mas o pouco que consegui captar me indicava que eu teria um novo cliente. Depois que terminaram ele entrou e meu padrasto me levou para fora, no carro ele disse que amanhã teríamos um novo programa e que eu deveria ficar animado, o que claramente não estava.

Foi o que aconteceu, no dia seguinte fui levado para a casa do cara e deixado lá, aparentemente ele teria pago pelo equivalente a uma hora, mesmo naquele tempo eu sabia que tanto tempo assim deveria ter custado muito, ele pagou com antecedência e meu padrasto disse que precisava fazer umas compras, depois me pegaria. Estava assustado, não sabia o que me esperava, o cara se sentou em uma poltrona que havia na sala e pediu que me aproximasse, apontou para um sofá e sugeriu que eu sentasse.

- Olá. – Ele disse com um sorriso simpático. – Eu me chamo Oliver... e você?

Ele não era muito velho, deveria ter mais que vinte e menos que quarenta, mais ou menos a faixa etária do meu padrasto. Cabelo preto, olhos verdes e uma aparência elegante.

- Henry. – Respondi.

- Então Henry, quantos anos você tem? – Ele perguntou.

- Dez. – Respondi.

- Lembro de quanto tinha dez anos. – Ele disse pensativo. – Foi um tempo bom... está com fome? Sede?

- Não... – Eu disse.

- Mas aposto que aceitaria um doce... – Ele disse e ficou me olhando com olhos curiosos esperando uma reação. – Talvez um chocolate? – Ele se levantou, foi até uma estante próxima, pegou um pote de vidro e me ofereceu alguns bombons que haviam nele.

Peguei um e desenrolei.

- Você parece um pouco nervoso... – Ele disse. – Fique tranquilo, não tenho outras intenções contigo, apenas gostaria de conversar um pouco.

Eu o olhei com um olhar desconfiado e assim que percebeu minha feição deu risada.

- Não estou mentindo... – Ele falou com um sorriso leve no rosto, depois se esticou para pegar um chocolate que estava no pote sobre a mesinha de centro da sala. – Sabe, me separei da minha mulher e ela foi morar em outro país, meus pais vivem longe... Enfim, vivo sozinho e as vezes é legal ter alguém para conversar um pouco.

Eu fiquei quieto da maneira que estava até que ele se levantou, ligou a televisão e um aparelho que havia em uma prateleira abaixo da estrutura onde a televisão estava, logo percebi que se tratava de um vídeo game. Ele pegou dois controles e me entregou um.

- Sabe jogar? – Perguntou e eu disse sim com a cabeça. – O seu controle é o principal, escolha o jogo que quiser.

Levei alguns minutos olhando as opções e então selecionei um, era um jogo de luta. Começamos meio tímidos, ele na sua cadeira e eu no sofá, não demorou muito e o jogo nos fez esquecer de tudo, ele já estava do meu lado no sofá, os som das teclas dos controles tomaram o espaço, assim como os sons que emitíamos com a boca, ele derrubou o controle da minha mão uma vez em que eu o havia encurralado e conseguiu escapar, mas era terrível no jogo e eu ganhava fácil todas as vezes, não demorou e ele começou a pegar o jeito do jogo e se tornou um adversário digno. O tempo passou rápido, estava prestes a derrotar ele mais uma vez quando a campainha da casa tocou e eu fui jogado novamente na minha realidade, meu padrasto havia chegado para me levar.

Oliver foi comigo até a porta e me entregou a ele.

- Gostaria de lhe fazer uma proposta. – Oliver disse.

- Sou todo ouvidos. – Meu padrasto disse.

- Gostaria de saber se é possível comprar a exclusividade do garoto. – Ele falou e eu notei um semblante confuso no rosto do meu padrasto.

- Como assim? – Ele perguntou.

- Estou disposto a lhe pagar um tipo de mensalidade. – Oliver disse. – Em troca eu gostaria que o garoto passasse algumas horas comigo todos os dias, depois do horário da escola, claro.

- E porque você iria querer isso? – Ele perguntou ainda sem entender as intenções por trás da proposta de Oliver. – É como eu já disse, o garoto não faz tudo, não ainda...

- Certo, eu entendo... – Oliver disse, cortando o assunto. – Eu apenas gostaria de poder passar algum tempo com ele, sem outros tipos de interesse, mas para isso me agradaria saber que ele não está fazendo outras visitas.

Meu padrasto o encarou por um tempo com um olhar desconfiado, aquela ideia não parecia agradar muito, ele estava se dando muito bem com esses esquemas que ele arranjava.

- Não vai dar... – Ele disse. – Temos muitos clientes, os negócios só melhoram... Não seria barato algo assim.

- Não se preocupe, eu tenho como pagar. – Oliver disse, então tirou um pedaço de papel do bolso e entregou ao meu padrasto. – Veja isso como um incentivo.

Ele tomou o papel e parecia ter visto algo agradável, pois seu semblante se aliviou e aquele seu sorriso detestável apareceu.

- Você me convenceu. – Ele disse. – Depois eu ligarei para acertar os termos.

Poucos dias depois o meu padrasto me disse que dali em diante eu apenas atenderia ao Oliver, iria da escola direto para a casa dele, passaria a tarde lá e voltaria para casa para dormir e durante um final de semana por mês eu dormiria na casa dele. Tudo aquilo para ele era ótimo, receberia um bom dinheiro por isso, ainda ficaria livre de mim, também teria gastos reduzidos em casa já que eu não passaria mais tanto tempo lá como antes, além de ter a casa livre para fazer o que quisesse durante grande parte do tempo. Foi quando minha vida começou a ficar boa de ser vivida, Oliver era uma ótima pessoa, gentil, companheira, solidaria, respeitosa, me disse que era cientista, havia criado algo que o permitira ter muito dinheiro, estar com ele me fazia sentir feliz e cada dia eu contava as horas para poder estar em sua presença, em poucos meses já éramos grandes amigos, falávamos sobre tudo, contava para ele sobre a escola, da menina que eu estava gostando, dos caras que pegavam no meu pé, enfim, sobre tudo que me sentia à vontade de contar e ele sempre tinha um bom conselho para dar quando eu precisava.

- Você soube do novo zoológico que foi inaugurado na cidade? – Oliver disse enquanto pincelava um tela. – Estava pensando em darmos uma passada lá hoje.

- Será que eles tem pinguins lá? – Falei dando algumas pinceladas na mesma tela.

- Ainda não entendo essa sua fissura nos pinguins... – Oliver disse.

- Se eles são tão legais... – Falei. – Sabia que o pinguins-imperador macho é quem choca o ovo? Sem parar, passa todo o período de incubação sem sair do lugar para o ovo não congelar, por isso não se alimenta até o nascimento do filhote, quando a mãe assume a criação do bebe pinguim e o pai vai se alimentar para depois voltar e revezar com ela na criação do filho.

- Uau... menino inteligente. – Oliver disse. – Tá ai um grande exemplo que a natureza nos dá sobre a criação de um filho.

Então ele pegou um pote de tinta e lançou contra a tela, deixando uma grande mancha.

- Ei! – Eu gritei ao receber algumas gostas de tinta no rosto e no avental que usava. – Porque você fez isso?

- Se a gente continuasse pintando daquele jeito não iríamos acabar nunca... – Ele disse e pegou um pote de outra cor. – O quanto antes acabarmos o quadro, mais tempo vamos ter para visitar os pinguins no zoológico. – Então me entregou o pote. – Sua vez.

Depois de desperdiçarmos muita tinta e fazer uma grande mistura usando as mãos na tela fomos tomar banho e nos arrumar para sair. Eu tinha o meu próprio quarto na casa, já o encontrara pronto, o que me pareceu estranho. Era bonito, bem colorido, os armários tinham portas vermelhas, azuis, verdes, tinha brinquedos legais, era o quarto dos sonhos.

Fomos ao zoológico e demos um longo passeio, ele era enorme, tinha de tudo, compramos sorvete, pipoca, algodão doce, visitamos o viveiro de vários animais e para a minha felicidade tinha pinguins. Foi o que observamos por mais tempo, haviam algumas placas com informações e o Oliver as leu em voz alta. O viveiro era isolado por um vidro e era bem frio, tinha muito gelo e uma parte com água, onde você poderia ver os pinguins nadando no andar de baixo do zoológico, onde ficavam os tanques de água dos animais aquáticos. De dentro do viveiro vi um filhote de pinguim se movendo por perto dos pais. Ele era bem fofinho, olhei para o Oliver e ele também observava o filhote.

- Oliver... – Tinha uma coisa que eu queria perguntar, não havia tido coragem ainda, mas naquele dia eu decidi fazê-lo. – Você tem filhos?

Ele permaneceu olhando pensativo para o viveiro, depois tirou a carteira do bolso, pegou uma foto que havia dentro dela e me entregou. Na imagem havia um garotinho sorridente, ele era bem parecido com o Oliver, exceto pelo fato de ter os cabelos mais claros que o dele.

- Ele se chamava Brandon. – Oliver disse olhando para um ponto no nada. – Nessa foto tinha a sua idade.

- E onde ele está? – Eu deveria ter prestado mais atenção em sua fala, na conjugação do verbo.

- Bom... Ele não está mais aqui. – Ele falou. – Digo, não entre nós, infelizmente não sobreviveu a um acidente de carro que sofremos, eu sobrevivi.

Passei algum tempo olhando para a foto e imaginando como ele deveria ser, agora o quarto que atualmente era meu fazia sentido, aquele garoto havia dormido lá por bastante tempo, até que... Acredito que o Oliver não tenha desfeito o quarto por ser uma lembrança do filho perdido.

- Foi por essa e outras questões que eu me separei da minha mulher. – Ele disse. – Ela passou a me culpar pela acontecido e nunca me perdoou por isso, nem eu mesmo me perdoo...

- Mas não foi sua culpa. – Eu disse.

- Era eu quem estava no volante, a responsabilidade pela minha vida e a dele estava nas minhas mãos. – Ele disse sem tirar os olhos do viveiro. – No fim eu não pude garantir a segurança delas como deveria.

Me senti triste por ele, deve ter sido difícil lidar com isso, agora entendia o motivo dele ter tanta simpatia por mim e fazer tudo que fez para me ajudar, deveria ver o seu filho em mim e sentido pena por ter de levar uma vida como a que vivia.

- Mas chega de lamentar o passado. – Ele pegou a foto da minha mão e tornou a guardar. – Vamos continuar o passeio, ainda tem muitos animais para vermos...

Era uma sexta-feira, eu dormiria na casa dele naquele dia, assim como no sábado e no domingo. Voltamos para lá e ele me ajudou no dever de casa depois que jantamos. Em seguida sentamos no sofá para assistir um filme, era um bom filme, mas eu estava cansado e estava sonolento, não consegui assistir direito.

- Cara, você está acabado... – Ele disse rindo ao me ver tentar manter os olhos abertos. – Está morrendo de sono

- Eu não estou com sono... – Não queria ir dormir ainda, precisava aproveitar o maximo possível dos momentos naquela casa.

- Você não está com sono. – Ele disse e completou rindo. – O sono está com você.

- Engraçado... – Falei.

- Vem, vamos dormir, amanha terminamos o filme. – Ele disse e desligou a TV.

Então ele me pegou no colo e me levou até o quarto, me pôs na cama e me cobriu.

- Será que é permitido comprar um pinguim? – Perguntei e deixei um bocejo sair, ele riu.

- E onde diabos você iria criar um pinguim?. – Ele disse. – Em uma geladeira?

- É! – Eu disse considerando a ideia. – Poderia colocar muitos peixes para ele e de vez em quando levar para passear...

- Não acredito que você está mesmo pensando nisso. – Ele disse rindo muito.

- Para de rir, estou falando sério.

- Vai dormir garoto. – Ele empurrou o meu rosto.

- Boa noite Olie. – Bocejei mais uma vez.

- Boa noite guri.- Ele se aproximou e me deu um beijo demorado na testa. – Sonhe com os pinguins... – Falou, se levantou e saiu do quarto, fechando a porta em suas costas.

O fim de semana foi muito legal, me diverti muito, mas na segunda feira teria de dormir em casa novamente, o que me deixava meio para baixo, principalmente porque o meu padrasto começou a ter ciúmes da minha relação com o Oliver. Fazia piadas idiotas o tempo todo e sempre falava mal dele na minha presença, pois sabia que me incomodava.


Última edição por Hikaru em Sex Jun 19, 2015 1:38 am, editado 1 vez(es)

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Re: fanfic

Mensagem por Hikaru em Sex Jun 19, 2015 12:47 am

Parte 2

Em um dia aleatório eu cheguei na casa do Oliver depois da escola e havia uma mulher com ele, estava bem vestida, como se fosse algum tipo de empresária. Ele me apresentou a ela e disse que era uma amiga sua, que por coincidência era uma assistente social, pediu que contasse a minha historia a ela e me disse que ela iria me deixar livre do meu padrasto, provavelmente seria mandado para um abrigo para menores, mas que ele entraria em um processo de adoção para conseguir a minha guarda e passaria a ser meu pai perante a lei. Eu fiquei muito feliz com aquilo embora não entendesse bem como iria acontecer, mas fiz questão de colaborar como podia com o que a moça pedisse. No fim o Oliver disse que era para manter isso em segredo do meu padrasto, foi o que eu fiz.

Tudo estava indo bem até que um dia meu padrasto decidiu que iramos nos mudar, ele tentou se envolver com as drogas novamente e acabou caindo nas vistas de um traficante para o qual devia muito dinheiro, recebeu uma surra das boas e fora ameaçado de morte se não pagasse o que devia. Foi então que ele procurou Oliver e disse que se ele não desse o dinheiro que precisava para se livrar da divida iria sumir e me levar junto. Oliver pediu alguns dias para conseguir o dinheiro e assim fez.

Meu padrasto pegou a grana com Oliver e foi tentar resolver os seus problemas, disse que depois que o fizesse iria me trazer para deixar com ele por um mês como agradecimento pelo “favor”. Mas não foi o que ele fez, assim que pagou o que devia o traficante disse que era para ele dar o fora da cidade, que se o visse novamente iria encher a cara dele de balas. Ele poderia te me deixado com o Oliver e partido, mas eu era a sua fonte de renda, sem mim ele poderia se virar fazendo programa novamente, mas o que ele ganhava sozinho não eram nem de longe o que conseguia me vendendo. Mandou que eu arrumasse as malas, disse que iria me levar para a casa do Oliver, eu o fiz acreditando, ele também arrumou suas coisas, jogou tudo no carro.

Saímos de carro e quando estava seguindo na rua olhei para trás vi o Oliver chegar em casa acompanhado de sua amiga assistente social e outro cara de terno, que só depois eu saberia que se tratava de um oficial de justiça, que entregaria uma intimação ao meu padrasto. Antes de perder a minha casa de vista os vi bater na casa dos vizinhos, provavelmente para perguntar onde estávamos, depois meu padrasto virou uma esquina e eu os perdi de vista. No inicio fiquei preocupado por chegarmos na casa do Oliver e não o encontrar lá, mas logo percebi que na verdade nem para lá estávamos indo, meu padrasto parou o carro na rua e mandou que eu saísse, pegou as malas e fomos de pé pelo resto do percurso, perguntei e ele me disse que iríamos para a estação de trem, sem antes me segurar firme pelo braço para evitar que eu tentasse fugir.

Na estação ele comprou duas passagens de trem para não sei onde, mas provavelmente seria para bem longe de onde estávamos, uma vez ele me falou que tinha uma tia que vivia em outro estado, talvez fosse para lá que iríamos. Esperamos na estação por alguns minutos enquanto o trem não chegava, ele se mantinha alerta e nervoso, olhava para todos os lados como se estivesse esperando que um pelotão de fuzilamento fosse aparecer do nada. Fiquei rezando internamente para que o Oliver aparecesse e me levasse antes que o trem chegasse, mas não aconteceu. O trem chegou, meu padrasto me puxou para dar o fora dali o quanto antes, subimos no trem, ele me jogou para o assento da janela e sentou do meu lado, eu observava a plataforma e as pessoas que entravam e saiam, todas com um destino, espero que nenhuma esteja indo para um lugar do qual não gostaria de estar. Foi quando vi Oliver aparecer junto com a moça e o outro cara, não consegui conter o sorriso, precisava dar o fora dali, disse para o meu padrasto que iria no banheiro e corri, ele percebeu minha intenção e me seguiu. Sai do trem correndo o mais rápido que podia.

- Oliver! – Gritei e ele me viu, correu em minha direção.

- Volta aqui pivete! – Meu padrasto gritou atrás de mim, me virei para dar uma ultima olhada e o vi puxar uma arma da cintura.

Olhei de volta para a frente para encarar Oliver e ele também viu a mesma coisa, por isso se apressou ainda mais e me agarrou com força, foi quando ouvi um estrondo e senti uma dor terrível nas costas. Caímos juntos no chão, ouvi pessoas gritando, depois outros disparos, consegui ver de relance os seguranças do terminal apontando armas para onde o meu padrasto estava. Depois senti minha camiseta molhar nas cotas e na frente, olhei para baixo e vi que tinha sangue no meu ombro, eu havia sido baleado, a dor era terrível, olhei para Oliver e percebi que ele estava sujo de sangue, de inicio pensei que era meu sangue, mas não era, a bala havia atravessado meu pequeno corpo e penetrado o dele no peito.

- Chamem um médico! – Ele gritou e se levantou me tomando no colo. – O garoto... ele foi atingido!

- Eu estou bem... – Eu disse, sentia muita dor, mas não queria preocupa-lo.

- Vai ficar tudo bem guri. – Ele disse com lagrimas nos olhos. – Não vou deixar que isso aconteça novamente... não posso...

- Obrigado Olie... – Eu falei enxugando as lagrimas do rosto dele.

- Não guri... eu que preciso agradecer... – Ele disse. – Graças a você eu pude encontrar um sentido para continuar vivendo.

- Eu também... – Falei e ele deixou aquele seu belo sorriso aparecer, embora estive mais vacilante.

Então ele tossiu e sangue saiu pela sua boca. Enfiou um das mãos no bolsa da calça, tirou algo de dentro e colocou na minha mãos. Olhei para ver do que se tratava e era um pingente em forma de pinguim.

- Sinto muito guri... eu tentei... – Ele disse. –  Mas ninguém jamais disse que seria tão difícil.

- Se você está falando do jogo... – Eu disse. – Desista, não importa o quanto tente, não vai conseguir ganhar de mim...

- Cala a boca... – Ele falou e tentou rir, mas sentiu dor. – Só por causa disso não vou mais te dar um pinguim de presente no seu aniversário.

- Ei... isso não é justo.. – Eu disse, minha visão ficou desfocada por um instante e depois voltou, senti sono.

- Nem pense em dormir agora... – Ele disse. – Por favor...

Ele fechou os olhos por um instante e voltou a abri-los.

- Acho que é você que está morrendo de sono...

- Eu não estou com sono...

- Claro... – Eu disse e me esforcei para sentar, então dei um beijo na testa dele. – Não é um beijo de boa noite...

Os paramédicos chegaram e vieram direto em nossa direção, se aproximaram dele, mas ele mandou que cuidassem de mim primeiro. Me carregaram e colocaram em uma maca, em seguida fizeram o mesmo com ele, me lavaram correndo o mais rápido possível para dentro de uma ambulância e partiram. Via tudo girar a minha volta, minha vista começou a ficar escura, colocaram um daqueles trecos para respirar no meu rosto, não conseguia manter os olhos abertos, senti o pingente e minha mão e o apertei com força, então eu os fechei.

Quando voltei a abrir estava em um quarto de hospital, meu ombro estava enfaixado e eu estava muito sonolento, mas não podia dormir mais, precisava saber se ele estava bem, uma enfermeira se aproximou e quando me viu acordado se retirou, voltando alguns instantes depois acompanhada da amiga de Oliver, ela se chamava Alice.

- Olá Henry. – Ela disse. – Como está se sentindo?

- Bem... – Disse. – Mas e o Oliver, onde ele está?

- Depois a gente conversa mais, durma um pouco agora. – Ela disse.

- Não... – Falei. – Quero vê-lo. – Tentei me levantar, mas meu ombro doeu.

- Você não pode se levantar agora senão os pontos irão se abrir. – A enfermeira disse e me fez desistir de sentar.

- Por favor... Preciso saber se ele está bem. - Alice respirou fundo e então cedeu.

- Bom... – Ela parou por um instante pensando no que dizer e enfim concluiu. – A bala que te atravessou atingiu o Oliver no peito, muito perto do coração, ele perdeu muito sangue... – Ela parou um pouco pensando em como continuar a falar, parecia que iria continuar a contar todo o processo, mas ao ver meu semblante de frustração com todo aquele suspense decidiu ser direta. – Por algumas complicações ele acabou ficando em coma.

Eu senti uma alivio momentâneo, significava que não havia morrido, mas eu não sabia exatamente o que era “estar em coma”, tinha em mente que quando uma pessoas entra em estado de coma ela fica dormindo por muito tempo, mas que pode acordar um dia. Depois que recebi alta eu fui mandado para um abrigo, meu padrasto havia morrido baleado pelos seguranças da estação de trem, eu estava sozinho no mundo e o Oliver permanecia em coma, as vezes eu era levado pela Alice para visitá-lo, a cada visita tinha a esperança de que ele acordasse e me tirasse do abrigo, mas ele não acordou, apenas dormiu como uma criança. Um ano depois eu fui adotado, recebi novos pais muito legais, eles ficaram sabendo de toda a historia e me levavam sempre para visitar o Oliver no hospital. A Alice me trouxe algumas coisas que me pertencia e estavam na casa do Oliver, inclusive o quadro que pintamos juntos, eu o levei para o hospital e coloquei no quarto dele, queria que se um dia ele acordasse fosse a primeira coisa que veria, então se lembraria de mim.

Anos passaram e ele não acordou, seus pais desistiram de ter esperanças de que ele acordasse um dia e assinaram os papeis para que desligassem os aparelhos. Eu fiquei muito revoltado quando soube, queria ir lá e socar a cara deles com força, mas não podia. Cheguei a ir no funeral dele para me despedir pela ultima vez. Fiquei observando sua aparência pacifica dentro daquele caixão, toquei o pingente que ele havia me dado, agora era como se parte dele estivesse comigo. Naquele momento eu desejei que existisse um estrada pela qual poderia correr, correr de volta para o começo, poder dizer tudo aquilo que queria mais não tive coragem de dizer, mas não tinha jeito, não consegui segurar as lagrimas, era muito ruim ter de passar por aquilo, doía mais do que a sensação de levar um tiro, era difícil de suportar, mas ninguém disse que seria fácil, agora só me restava a cabeça em um silencio à parte enquanto prometia que se um dia tivesse um filho, seria um pai como ele havia sido para mim.

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